A Resistência tem Rosto e Voz

A Resistência tem Rosto e Voz | 80 Anos da Greve de 1946 | Exposição temporária

Os textos que se seguem correspondem a resumos de depoimentos e documentos recolhidos pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) entre 3 e 20 de março de 1946, no âmbito da investigação à paralisação ocorrida nas minas a 27 de fevereiro de 1946. Estes testemunhos foram registados num contexto de vigilância e repressão política, pelo que as declarações refletem perceções individuais dos operários e podem traduzir estratégias de autoproteção, acusações cruzadas ou a minimização de responsabilidades. Devem, por isso, ser interpretadas em conjunto e não de modo isolado. No dia 3 de março, após os interrogatórios verbais realizados pela PIDE, não se apurou que os seguintes mineiros tivessem incitado a paralisação parcial do trabalho nas minas de carvão de São Pedro da Cova: Serafim Lopes dos Santos, Bernardino de Matos, António Pereira Sampaio, Manuel Ferreira, Manuel da Fonseca, António Ferreira Sofia, Joaquim Teixeira, Alfredo de Almeida França, José Martins Castro, Miguel Teixeira e Joaquim Martins de Castro.
No dia 18 de março, após serem apuradas as responsabilidades, na paralisação parcial, os operários Serafim dos Santos; Serafim Branco; Alvarinho Monteiro da Silva; Manuel do Couto e Damião Rocha, também foram soltos.
Também no dia 27 de março foram libertos os operários: José Pinto de Oliveira; Francisco de Sousa; José Gonçalves; Lindoro Moreira das Neves e António Ferreira, por já terem sido apuradas as suas responsabilidades na paralisação parcial.

JOSÉ GONÇALVES, O CESTA
No dia 9 de março de 1946, no âmbito do auto de perguntas realizado pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), o operário n.º 126, José Gonçalves, conhecido por “O Café”, declarou que, na véspera da greve, se encontrava a jantar na mina na companhia de outros trabalhadores. Segundo o seu testemunho, um deles,
Francisco de Sousa, conhecido por “O Pichela”, mostrou aos colegas a marmita que levava, contendo apenas caldo e um pedaço de broa, desabafando que aquela alimentação era manifestamente insuficiente. Nesse momento, apelou aos companheiros para que, caso estivessem de acordo, abandonassem o trabalho no dia
seguinte e exigissem um aumento, “dizendo que tinham fome”. José Gonçalves afirmou ainda que todos os presentes concordaram com as palavras proferidas por Francisco de Sousa, menos José. No entanto, no dia seguinte, juntamente com outros operários, nomeadamente: Lindoro Moreira das Neves; Francisco da Silva Neves, “O Chico Carcereiro”; António Ferreira, “O Pichela” e José Pinto de Oliveira, “O José Cesta”, por volta das seis horas, sentou-se na passagem para a mina, impedindo assim a passagem de outros operários, alegando que não podiam trabalhar, pois não se podia trabalhar com fome…

LINDORO MOREIRA DAS NEVES

SERAFIM DOS SANTOS, O CAPELAS

JOSÉ GONÇALVES, O JOSÉ CAFÉ

SERAFIM BRANCO, O TENDEIRO

MANUEL DO COUTO, O COELHO

DAMIÃO DA ROCHA, O MULETA

ALVARINHO MONTEIRO DA SILVA


ANTÓNIO FERREIRA, O PICHELA

FRANCISCO DE SOUSA, O PICHELA

JOSÉ PINTO DE OLIVEIRA, O JOSÉ CESTA

FRANCISCO DA SILVA NEVES, O CARCEREIRO

JOAQUIM MARTINS DE CASTRO

JOAQUIM TEIXEIRA, O PEDAS

JOSÉ ALVES DA CULHA, O BEXIGA

JOAQUIM MARTINS DE CASTRO, O BROALHAS

SERAFIM LOPES DOS SANTOS

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